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O que é isto?
 
-[-- Escrevo-Leio-Não Corrijo-Gosto-Publico--]-
 

 Verdades 

 

Nem a contradição é sinal de falsidade

nem a falta dela é sinal de verdade

(Blaise Pascal)

 

 

A tênue linha entre verdade e mentira translada ao sabor das intenções daqueles que transmitem os fatos. Estas entidades, mesmo sendo opostas, se aproximam e confundem tornando difícil sua imediata distinção. As pedras capazes de alterar o curso do rio da confiança podem desviar as águas em diferentes direções, dependendo de quem as arremessa.

Valendo-se de tal subterfúgio, monarcas e poderes de todas as eras manipularam o povo levando-os a acreditar em falsidades – ou verdades de poucos – que moldaram os rumos da história. No antigo Egito, os sacerdotes tinham como função monopolizar escrita e conhecimento, assim como convencer a população de que o Faraó era a divindade terrena.

Na Idade Média, a Igreja Católica foi uma memorável instituição exemplo para todos aqueles que buscam o caminho das mentiras e/ou meias-verdades para manter o poder na mão daqueles cuja sede é dominadora. Não obstante, na Idade Moderna a exploração perpetuou-se através de crenças e traços culturais que elegeram os negros (indígenas e qualquer povo não católico) como a sub-raça que deveria submeter-se a um utópico Homo sapiens superiori.

Entretanto, o episódio mais aterrorizante – talvez por sua proximidade, dimensão ou nível de distorção da realidade –, de como uma farsa representada mil vezes torna-se real e pode alterar as concepções dos homens, ainda é a campanha de Adolf Hitler para justificar seu Holocausto. A mídia, principal arma do autoritário e pretenso regente do grandioso III Reich, conseguiu distorcer as retinas dos homens a tal ponto que seus irmãos passariam de compatriotas a ratos, sem explicações ou justificativas.

A frágil e efêmera verdade nunca esteve a salvo de ataques e escoriações, principalmente nesta Era “globolizada”. Montaigne afirmou que “Nada é tão verdadeiro que não possa parecer falso” e talvez seja necessário aos homens muita cautela para não serem consumidos pelo bombardeio de informações (verossímeis ou não). É um pesar ver netos, indignados com os erros dos avós, indagando-se: -- Como eles se deixaram enganar tanto?



 Escrito por Décio Rondon às 20:46 [ ] [ envie esta mensagem ]



Duas almas

 

Machado de Assis expôs, em "O Espelho", a tese de que os homens são constituídos por duas almas: uma que olha de dentro para fora e outra que olha de fora para dentro. Esta última seria mutável (salvo algumas excessões) e poderia resumir-se a um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, um espírito ou qualquer entidade capaz de emanar vida, assim como a primeira, e desta forma completar o homem.

Entretanto, as almas completas e em paz são preciosidades absolutas nas gerações que assistiram ao alvorecer do III Milênio. A alteração de muitos valores sociais e culturais tornam impressindível uma análise aprofundada da teoria machadiana acima apresentada. Se ambas as almas são juízo apriori para a completa contentação humana, é cristalino que a sociedade perdeu uma delas no processo chamado de civilizatório e globalizante.

Por ser inerente ao ser humano desde o aconchego materno, a perda do espírito interno implica em um trauma psicológico - e emocional - de proporções tão intensas e repentinas que a sociedade (como um todo, um organismo) não teria forças para suportar e entraria em colapso prontamente. Assim sendo, as perturbações enfrentadas pelo homem, hoje, são resultado da perda de sua metade mutável e restituível: o espírito externo.

A dinâmica das comunicações e os novos valores culturais moldaram uma sociedade não mais retratada através do pontilhismo. Mas cubisticamente. Os indíviduos são gradativamente substituídos por agrupamentos geométricos cujos tons são sempre uniformes e retratam apenas concepções do que seria certo, excluindo as verdades de cada um. Tal processo faz com que cada cidadão busque uma alma exterior que melhor atenda ao grupo em que foi inserido.

Desta forma, uma única alma externa deve emanar vida a incontáveis almas internas. E, por consegüinte, as almas não se completam. Entre almas deve haver ressonância e cada membro da sociedade deve buscar a metade que lhe falta sem considerar a opnião coletiva. Para serem completos, alguns precisam de amor ou dinheiro ou amizade ou poder ou ódio ou qualquer outra coisa, contudo, o importante é não se julgar uma alma por estar buscando sua contra-parte e sim parabenizá-la por estar perseguindo a única coisa que possa ser capaz de salvar a humanidade: a felicidade.



 Escrito por Décio Rondon às 02:08 [ ] [ envie esta mensagem ]



Troca de valores

 Na vida existem aspectos ainda misteriosos para mim. Não julgo que eu devesse conhecer tudo, mas eu já deveria ter dominado esta propriedade humana da "troca de valores". Não conheço uma pessoa apenas que seja isenta desse mal e - o que mais me espanta - eu sou o único que vê um claro malefíco nisto.

Chego a acreditar que eu gero algum tipo de campo de influência. Sim, ao se aproximarem as pessoas invertem valores automaticamente! Talvez eu devesse me assustar, porém isso já se tornou tão comum que encaro naturalmente.

Por exemplo: Os valores da amizade! Uma palavra tão bela, carregada de significados tão majestosos e intenções tão puras!! Entretanto, a inversão destes valores não é, nem vagamente, agradável. Casos reais? Sim, claro. Imaginem uma pessoa que entende um pouco da matéria e sabe como fazer uma prova. Suponhamos que essa pessoa tenha se formado no Ensino Fundamental e seus amigos estejam de exame. Pronto, com o contexto estabelicido prosseguimos.

Ao longo do ano essa pessoa se oferece aos amigos para ajudá-los a estudar e aprender. Contudo, com o advento dos exames todos começam a procurá-la e pedir ajuda. Este processo parece natural, mas mostra-se uma grande inversão de valores! Tendo em vista que o que se passa são trocas de favores entre amigos, por que essa pessoa é obrigada a ajudar e sacrificar suas tardes? E com um agravante: sem por favores e nem obrigados!!

 A "troca de valores" é um absurdo! É um absurdo fazer alguem sair de sua cama, ir até a escola, deixá-la procurando por você meia hora e avisá-la às 16h30min que não vai mais precisar estudar com ela. Sem obrigado, sem desculpa! Agora, encerra-se a farsa mal-feita e revela-se a verdade: Essa famigerada pessoa sou eu. Não sou abrigado a ajudar ninguém. O pouco conhecimento que possuo é meu! Se me ofereço a passá-lo adiante é para pessoas que merecem e que eu acredito que sejam minhas amigas, mas isso não é justificativa para que eu não receba o devido valor por ser o único "promovido" disposto a ajudá-las. Eu também terei minhas provas e mereço, no mínimo, respeito por dar o meu máximo pelos outros.



 Escrito por Décio Rondon às 17:43 [ ] [ envie esta mensagem ]



Engraçado

Sinto uma enorme vontade de escrever. Engraçado... tem horas na vida que podemos explodir. Como agora. Como nas últimas semanas. Tantas palavras, tantas frases, tantos textos, tantas idéias, tantas reflexões, tantos mundos, tantos Universos correm por minha mente! Chego a sentir seus passos apressados martelando meus ouvidos, nublando meus olhos. Será que vou explodir? Será bom sinal olhar e não ver o que o mundo quer que eu veja? Não ouvir o que esperam que eu ouça?

Tantas perguntas... Faço bem em questionar tanto? Quem sabe eu devesse apenas viver... mas não intensamente!! Uma vida intensa tem altos e baixos! Tem adrenalina!! Será que agüento? Ou será que vou acabar explodindo? Tem horas em que podemos explodir....

Por que não explodimos? Somos superiores ou inferiores a isso? Não explodi até hoje graças a quem? A mim? A você? A ninguém?? Estranho... podemos perguntar sobre tudo! Será que tudo pode nos responder? Encontramos respostas para tudo? Então porque podemos perguntar?

Como posso saber se faço as perguntas certas? Talvez questionar não seja a solução! Isso!! A solução é experimentar, agir! Se der certo terei a resposta!!!.... mas se eu falhar terei outra resposta... O que há de complexo na vida? Nada! A vida é complexa? Sempre foi! Para mim? Para você? Para todos ou ninguém?

Linhas de raciocínio são difíceis de seguir. Seguir linhas é fácil, portanto não pensamos linearmente. Pensamentos não se alinham (nem entre duas pessoas, nem entre os olhos). Pensamos como as aranhas dançam: em teias. Duas teias distintas, mesmo que semelhantes, podem ser sobrepostas sem sombras? Nunca vou encontrar alguém capaz de explodir comigo? Isso é bom? Quem sabe esse é o sentido da vida... não sentir. Nada. Ninguém.

Incrível! Sinto como se, ao partir da extremidade de um tênue fio de seda, tivesse finalmente chegado ao epicentro de todos os t(r)emores. Perguntas são inúteis sem respostas. A partir de hoje, não mais pergunto sobre tudo. Primeiro acharei a resposta, depois encaixarei a pergunta. Complexo... mas talvez eu resista. Hoje. Amanhã. Dias... A explosão retrocede. Sem perguntas e sem respostas!! Está decidido! "Viver" é a única resposta! "O que fazer?" é a única pergunta... Serei Santo! O Milagre para todos!!

-O que fazer?

-Viver!!

Nenhum problema será capaz de escapar... acabarei com todos! ah!... como é bela uma vida sem perguntas e sem razões... vida de significados, vida de sentimentos, vida nobre... Vida como deve ser: engraçada!



 Escrito por Décio Rondon às 20:40 [ ] [ envie esta mensagem ]




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